Quem nunca ouviu um dos grandes sambas gravados por Paulinho da Viola que termina assim: ‘Tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim. Olha que a rapaziada está sentindo a falta de um cavaco, um pandeiro e um tamborim’. Pois bem, isto serve para ilustrar o quanto o tan tan é recente em relação aos outros instrumentos tradicionais, dos quais – embora novato – já faz parte.

A história do Tantan
O Tantã é um instrumento de percussão, que consiste de um tipo de tambor de formato cilíndrico ou afunilado (tipo atabaque), com o fuste em madeira ou alumínio. Possui uma pele em apenas uma das suas extremidades. Seu diâmetro pode variar, os mais usados são de 12″, também chamado de rebolo, tantã de corte ou tantanzinho o de 14″ que possui um som mais grave como o do surdo. Este instrumento é de marcação. Tocado com as mãos e utilizado no samba e outros ritmos característicos da mesma origem. Várias pesquisas relatam que este instrumento foi criado por Sereno, sambista do Rio de Janeiro. Foi introduzido no samba para substituir o surdo de marcação nas rodas de samba do Cacique de Ramos, no fim da década de 1970. Aqui você encontra grandes marcas, como Izzo, Contemporânea, Luen, Torelli e várias outras.
Na verdade, o tan tan, um instrumento de percussão responsável por impor a marcação da música foi uma transposição e não, necessariamente, uma invenção. Ele foi trazido de um lugar tido para muitos como um universo muito distante do samba: nada menos que o rock. É isso mesmo! O tan tan, instrumento típico do samba veio do rock.
O responsável por isso foi o músico percussionista do grupo Fundo de Quintal, Sereno, que participava de rodas de música na escola de samba Cacique de Ramos, onde nasceu o grupo, e percebia que a utilização do surdo – um instrumento também de marcação, mas que emitia um som muito forte – acabava abafando o som de instrumentos como o cavaquinho e o violão, que são puramente melódicos e, genuinamente, de volume, relativamente, baixo.
Então, veio a grande sacada. Um instrumento que acompanhava a bateria do rock emitia um som parecido com o do surdo, mas com uma intensidade menor. Este instrumento – o tan tan – foi estudado por Sereno e ganhou uma batida diferente, uma nova forma de ser tocado. Quer aprender? Assista a esse vídeo, que fala sobre o rebolo (uma das variações do tan tan), que possui um som mais agudo, porém com a mesma função e a mesma batida.
Hoje, não há grupo de samba sem tan tan e o tan tan não sobrevive sem um bom sambinha, ou até mesmo axé e pagodes. Aliás, com o passar dos anos, o tan tan, além de fama, ganhou derivados: a tuba (que possui o corpo mais afilado na ponta final) e o rebolo (que é menor em comprimento do corpo), que têm a mesma função do ‘pai’. Na verdade, somente um charme a mais, porém nunca perdendo o papel fundamental de reger o ritmo do samba. Realmente, uma grande responsabilidade para quem é chamado de tan tan.